Coragem

“Os bardos com certeza esqueceram de mencionar um bocado de coisas nas canções”, pensa Edgar ao entrar no covil da fera. A primeira coisa era o cheiro. Carne queimada. Era horrível, não apenas por ser nauseante ao ponto de causar ânsias de vomito, mas pelo que vinha junto. A cada respiração Edgar quase pode ouvir os gritos, as suplicas, e sentir em sua pele a dor, a terrível sensação da carne queimando e da gordura se dissolvendo. Mas, encarar a criatura é o pior. Fazia brotar o pavor mais ancestral de todos, aquele que fazia todos os outros empalidecerem em comparação: a sensação de ser uma presa, o opressivo sentimento de sentir que sua vida terminará entre presas e garras.

Edgar tenta voltar sua mente para a razão de estar ali. Ali, em algum lugar atrás da fera, estava o cajado e nele a salvação de toda a vila. Talvez até de todo o reino. E havia a gloria. Se conseguisse suas façanhas seriam cantadas aos quatro ventos, seu nome cantado por todos os bardos de sua geração.

Afinal de contas, não é qualquer um que mata um dragão.

A criatura que o encara parece ler seus pensamentos e se divertir com isso. “Quase todos morrem tentando.”, ela parece dizer antes de avançar com as mandíbulas abertas, mostrando as presas afiadas como espadas.

– Só espero que os malditos bardos contem essa história direito. – Diz Edgar para si antes de também se lançar ao combate.

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