Remoendo

“Você pode me passar a faca?”, ela pergunta, sem nem ao menos me olhar.

Seria muito fácil. É uma faca boa, afiada e segura. Eu nem precisaria de muita força, um movimento rápido e tudo acabaria em sangue e agonia. Fácil demais. Ela sofreria um pouco e depois morreria. Não, eu preciso de algo mais permanente, um sofrimento sem escapatória. Vingança de verdade. Só não sei como nem quando vou conseguir.

“Vai ficar ai parado feito um idiota ou vai me passar a faca.”, ela insiste.

Ela sabe, por isso me mantém por perto. Adora me ver incapaz, cheio de raiva sem poder fazer nada a respeito. Não importa. Um dia ela me dará uma brecha, por mínima que for, e assim eu poderei ter o que eu quero.

“Pegue.”, eu entrego a faca para ela.

Ela sorri, me olhando com uma expressão de pena, de superioridade. Sinto o ódio queimar minhas entranhas. Melhor assim. Vai me manter aquecido durante a noite.

Anúncios