Bravata

Não, eu nunca a amei.

Mesmo apesar de tudo, ela foi só algo que veio sem aviso, como uma daquelas chuvas de verão que inundam metade de uma cidade, e o seu efeito na minha vida foi igualmente calamitoso.

Paixão? Não nego. Fui arrebatado desde o primeiro momento em que a vi. Ela com seus olhos profundos, que pareciam estrelas recém saídas do céu.

Mas nunca a amei.

Então o tempo passou e a paixão já não queimava com a intensidade de antes e eu a fui perdendo aos poucos. A cada dia ela ficava mais distante e eu podia ver seu interesse por mim ir lentamente se esvaindo de seus olhos, até que finalmente ela se foi. Simples assim. Me pergunto como eu posso não ter previsto um final tão obvio.

Hoje nada é como era antes e dificilmente voltará a ser. As musicas não tem mais a mesma graça, os dias não têm mais o mesmo calor, nem ao menos comida tem mais o mesmo gosto. E as vezes me pego sorrindo ao me lembrar dela.

Meu único conforto é me agarrar a uma bravata que nem mesmo eu consigo acreditar: Eu nunca a amei.