No Limiar da Meia Noite

– Já fazem mais de duas horas que eles entraram. – Eu resmungo para mim mesmo, olhando impacientemente do relógio para a casa abandonada.

– Café? – Oferece o novato, equilibrando duas canecas fumegando em uma mão enquanto segura um guarda-chuva na outra – Ficar de vigília é uma merda, hein?

– Esperar na chuva faz parte. – Eu falo, tão acostumado a noites frias e miseráveis como essa que mal me lembro como é se sentir quente e confortável – Ossos do oficio, novato.

– Não estava falando da chuva. – Ele responde – Já fazem mais de duas horas, não é mesmo? Tempo demais para um trabalho de rotina.

– Não existe rotina no nosso ramo. – Eu falo, pegando minha xicara de café, mas não deixo de dar razão para ele. O pessoal que entrou é um dos nossos melhores times, já enfrentou coisas que eu nem ouso descrever. Uma simples casa assombrada deveria ser um passeio no parque, a menos que…

Meus pensamentos são interrompidos pelo barulho de tiros e por um horrível urro de dor que nem ao menos parece humano.

– Nossa deixa, novato! – Eu falo enquanto saco a minha arma e corro na direção da casa, percebendo que ele nem ao menos hesita em fazer o mesmo.

Só espero que nossas armas sejam o suficiente.

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