Um Conto na Noite

Tudo começa em uma colina, em algum lugar não muito distante, onde se diz que o Povo das Sombras se congrega ali, três vezes por ano. As regras são simples: Do nascer ao pôr do sol daquele dia as pessoas não devem falar sobre Assembléia e do pôr do sol ao nascer do sol elas não devem deixar suas casas.

Um dia, a despeito dos avisos, um jovem homem cheio de coragem e de curiosidade, que decidiu ver a Assembléia por conta própria. Na manhã do grande dia ele conta à sua amada, a garota mais doce em um raio de oitenta quilômetros, que ele deseja ver o que acontece na colina naquela noite. Ela treme de horror e diz que ele não deveria falar deles, mas é muito tarde, e ela falou também. Ela chora, dizendo que não irá com ele e naquela noite se recolhe agarrada ao seu rosário, rezando fervorosamente. Mas ainda assim o jovem rapaz cheio de coragem e de curiosidade se esconde, ao pôr do sol, em uma árvore na colina. Ele vê as sombras chegando, as centenas, vindas de lugar nenhum. E ele as vê quando elas se arremetem no ar e sem aviso mergulham sobre a árvore e o levam embora. Então, uma hora antes do alvorecer, a garota mais doce em um raio de oitenta quilômetros ouve a voz de seu amado na janela, implorando para entrar. Ela vai até a porta e sai para abraçá-lo, e também desaparece.
Um dia o jovem rapaz, ainda cheio de coragem mas não mais de curiosidade, irá escapar. Sua amada nunca irá.
Ela é deles. Para sempre.